• Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde

Rita Veloso  Mendes

Atualizado: 10 de mai.


"Este envolvimento pressupõe cidadãos informados, capazes de tomar decisões conscientes em defesa do seu melhor interesse e implica a existência e disponibilização de informação cientificamente válida, atualizada, com uma difusão ajustada a cada indivíduo."



A alteração dos padrões sociodemográficos, a rápida evolução de técnicas, tratamentos e equipamentos, um maior rigor no controlo orçamental e a escassez de recursos de humanos são alguns dos fatores que têm vindo a contribuir para aumentar a complexidade do setor da saúde, lançando importantes desafios ao nível da organização dos cuidados assistenciais, das instituições que os prestam, dos sistemas de financiamento que os viabilizam e da formação dos vários profissionais de saúde envolvidos.

Sendo um sistema sobre pessoas, feito de pessoas e para pessoas, para além dos profissionais de saúde, importa, holisticamente, envolver os cidadãos enquanto doentes ou utilizadores do sistema, considerando-os como parte integrante e decisiva deste: cidadãos mais saudáveis, para além de mais ativos, recorrem menos ao sistema, exercendo menor a pressão sobre ele, implicando a afetação de menos recursos, contendo a despesa.

Este envolvimento, que varia de individuo para individuo, em função das várias fases da vida, de vivências concretas de situações de doença aguda ou crónica, deve ser uma constante em várias vertentes desde a utilização correta dos cuidados assistenciais disponíveis, na adopção de medidas de promoção da saúde, de prevenção da doença, na adesão às terapêuticas prescritas e boa administração das mesmas, entre muitas outras.

Este envolvimento pressupõe cidadãos informados, capazes de tomar decisões conscientes em defesa do seu melhor interesse e implica a existência e disponibilização de informação cientificamente válida, atualizada, com uma difusão ajustada a cada indivíduo. Já não importa apenas a prestação de cuidados de saúde necessários, à pessoa certa no momento certo. Importa garantir que a informação de (ou sobre) saúde chega à pessoa certa, no momento certo para que se reduza ou evite a prestação de cuidados de saúde.

A Literacia em Saúde emerge assim como uma determinante de excelência na resposta aos atuais desafios do sector da saúde, alavancando na informação, no conhecimento e nas decisões informadas e conscientes de cidadãos e profissionais, a estratégia de promover sociedades mais saudáveis e sistemas de saúde sustentáveis. Neste sentido e no contexto nacional, a criação da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde foi um passo de gigante na prossecução deste objetivo.

Rita Veloso Mendes, PhD

Sócia Fundadora SPLS

Administradora Hospitalar

HOSPITAL GARCIA DE ORTA

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