• Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde

Neida Vicente


Os líderes sociais, os profissionais de saúde entre outros stakeholders assumem um papel chave como veiculadores da mensagem, porém os utentes, como indivíduos autónomos, a quem cabe decidir por si mesmos, o que é melhor para a sua saúde, devem também procurar estes conteúdos relativos à sua condição de saúde.


Literacia em saúde por Neida Ramos A literacia em saúde pode ser compreendida como a "capacidade dos indivíduos de obter, processar e entender informações básicas de saúde e serviços necessários para tomar decisões apropriadas de saúde" Instituto Americano de Medicina (2004). Este conceito tal como outros conceitos aproximados sobre literacia em saúde são relevantes, porquanto, quando tais capacidades não se verificam, advêm consequências potencialmente graves para a saúde dos indivíduos e /ou comunidades. O baixo nível de literacia em saúde compromete os resultados em saúde, sendo possível observar essas consequências refletidas nos indicadores de saúde de uma determinada população. Diferentes fatores modificáveis e não modificáveis são apontados como impactantes para uma literacia em saúde adequada, desde as condições socioeconómicas, o nível de escolaridade, a etnia, a idade, a ocupação, o lugar de residência, a língua materna, etc. Determinadas ações são influenciadas pelo grau de literacia em saúde que se possui, e podem ser parcialmente dependentes do beneficiário dos cuidados, como do sistema de saúde, isto é, o acesso e utilização dos cuidados de saúde, a interação entre o utente e o profissional de saúde e a capacidade de autocuidado. Contudo, parece-me mandatório que quando se fale de literacia em saúde, também se abordem os fatores sistémicos que concorrem para a promoção em maior ou menor grau da literacia em saúde como a equidade, a sustentabilidade, a capacitação dos utentes, a participação dos utentes nos cuidados, os custos associados as visitas aos centros de cuidados, a preocupação com a satisfação na utilização dos serviços, etc. Com este cenário desenhado, consegue-se mais ligeiramente então decidir onde, como, com quem e quando, podemos incidir para aumentar a literacia em saúde das pessoas. É importante neste processo apurar quem deve começar, quem tem a responsabilidade de ensinar, adaptar a mensagem à audiência e disponibilizar todos os conteúdos necessários. Os líderes sociais, os profissionais de saúde entre outros stakeholders assumem um papel chave como veiculadores da mensagem, porém os utentes, como indivíduos autónomos, a quem cabe decidir por si mesmos, o que é melhor para a sua saúde, devem também procurar estes conteúdos relativos à sua condição de saúde. Agora, para que estes os encontrem, estes conteúdos devem estar acessíveis, em linguagem fácil de compreender, em formato de simples consumo, ou seja para leitura e audição, nos idiomas falados entre a população, e devendo conter um redireccionamento para um canal do sistema de saúde caso o leitor ou ouvinte se identifique com o assunto abordado. A promoção da literacia em saúde exige uma grande transformação de caráter global social, mental e digital. É um aspeto fulcral da humanização dos cuidados de saúde, onde se reconquista a ética em saúde, potenciando o bem, a autonomia e a justiça no acesso e distribuição dos cuidados médicos. E exige a colaboração e o empenho de todos!


Neida Vicente


5 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo