• Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde

Márcio de Andrade


A aprendizagem ao longo do ciclo de vida deve responder a múltiplas áreas como sejam: a

alfabetização, o acesso à informação sobre direitos e deveres, a literacia financeira, a inclusão

tecnológica, a literacia em saúde e autocuidados


Literacia em Saúde, uma necessidade nos dias que correm... A aprendizagem ao longo do ciclo de vida deve responder a múltiplas áreas como sejam: a alfabetização, o acesso à informação sobre direitos e deveres, a literacia financeira, a inclusão tecnológica, a literacia em saúde e autocuidados. A literacia em saúde pode ser entendida como um conjunto de competências cognitivas e sociais que determinam a motivação e a capacidade dos indivíduos para aceder, entender e usar informações e o conhecimento de uma forma que lhes permita promover a sua própria saúde ao mais alto nível. Segundo os dados do Inquérito Europeu à Literacia em Saúde, quase metade dos europeus inquiridos têm competências de literacia em saúde inadequadas ou problemáticas. De acordo com os resultados do Inquérito sobre Literacia em Saúde em Portugal 2016, (ILS-PT), comparando com os países participantes no Health Literacy Survey EU 2014 (HLS-EU), é o país que apresenta menor percentagem de pessoas com um nível Excelente de Literacia em Saúde, (8,6%) sendo a média europeia (16,5%). Portanto, este desígnio cabe a todos, mas em especial aos profissionais de Saúde, com o intuito de uma sociedade mais saudável e com sentido de responsabilidade neste constructo. A Literacia em Saúde implica conhecimento, motivação e desenvolvimento de competências que permitam compreender, avaliar e aplicar a informação em saúde de modo a formalizar juízos e gerar tomadas de decisão sobre cuidados de saúde e prevenção de doenças, no sentido de melhorar a qualidade de vida do cidadão durante todo o ciclo de vida. A promoção da Literacia em Saúde, junto das pessoas, das comunidades e das organizações, constitui um verdadeiro desafio para os que prestam serviços de saúde, desafio este que deve também ser colocado à academia e ao poder local e central. Falar de Literacia em Saúde, torna imperioso falar de empoderamento. O empoderamento contribui para a construção de políticas públicas e sociais que permitam a intervenção das pessoas nos diversos fatores determinantes do seu processo saúde/doença. Fomentar a Literacia em Saúde nas populações e organizações, será o alicerce para uma sociedade empoderada, e capacitada para mudanças de estratégias políticas em prol do indivíduo, da família, da comunidade e da economia social. Os profissionais de saúde, cada um no seu “teatro de operações”, devem assumir no seu quotidiano esta missiva maior, ou seja, o incentivo e a sensibilização para hábitos de Literacia Saúde, dos doentes que têm ao seu cuidado. Este ato, deve incrementar no doente a motivação para o conhecimento e a importância deste, na definição responsável do seu estado de saúde. Para a Ordem dos Enfermeiros, o Enfermeiro especialista é dotado de “ (...) um conhecimento aprofundado num domínio específico de enfermagem, tendo em conta as respostas humanas aos processos de vida e aos problemas de saúde, que demonstram níveis elevados de julgamento clínico e tomada de decisão, traduzidos num conjunto de competências especializadas relativas a um campo de intervenção”. Portanto, o Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária, integra um conjunto de competências clínicas especializadas na área de Enfermagem de Saúde Comunitária e de Saúde Pública, e na área de Enfermagem de Saúde Familiar. Esta vasta capacidade de atuação, faz do enfermeiro um profissional com um papel basilar e estratégico, no que diz respeito ao empoderamento e à educação para a saúde das populações nos seus diferentes contextos. Márcio Filipe de Andrade Enfº. Esp. Saúde Comunitária

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