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  • Foto do escritorSociedade Portuguesa de Literacia em Saúde

Helena Sampaio


Sou uma entusiasta que quer fazer parte do grupo que vai desbravar o campo do letramento alimentar. Para tanto, parcerias locais, nacionais e internacionais são fundamentais e fico feliz de estar presente na Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde


A literacia em saúde, que no português do Brasil é chamada de letramento em saúde, é um campo em desenvolvimento, mesmo após tantos anos de ter sido usado pela primeira vez, nos idos da década de 1970. No Brasil a primeira menção ao termo data de 2006. Mas quero dizer termo mesmo, pois até recentemente o letramento em saúde não vinha sendo tratado como um campo de conhecimento em meu País. Ao longo da minha trajetória profissional, iniciada em 1976, sempre me incomodou a dificuldade de transmitir orientações aos usuários dos serviços de saúde e obter adesão satisfatória ao tratamento. Considerava minhas ações educativas falhas e, ao mesmo tempo, também culpava o usuário atendido, que, a meu ver, não dava a importância necessária às condutas conducentes a uma boa saúde.

Passei anos tentando encontrar uma resposta para reduzir esta frustração e, em 2009, com um texto sobre letramento em saúde, trazido por uma doutoranda, descortinei o que acontecia e a partir daí mergulhei no estudo deste campo fascinante. Este mergulho me permitiu perceber a importância do letramento em saúde no âmbito da comunicação verbal, escrita e digital, tanto pensando em uma comunicação bidirecional profissional-usuário, como pensando no compromisso necessário das organizações de saúde para viabilizar a melhoria do letramento em saúde da população. Mais leituras, mais cursos e mais reuniões científicas permitiram a formação de um corpo de conhecimentos deste campo. No entanto, considero tal conhecimento sempre insuficiente, pois tudo muda a todo o instante e novo aprendizado se faz necessário. Foi uma alegria muito grande quando, recentemente, a Organização Mundial da Saúde publicou um glossário onde introduziu duas mudanças importantes. Em primeiro lugar, incluiu a melhoria do letramento em saúde no conceito de educação em saúde. E, em segundo lugar, modificou o conceito de letramento em saúde que havia adotando há muitos anos, desta feita deixando clara a via de mão dupla, ou seja o letramento em saúde implica na aquisição de habilidades, competências e motivação para lidar com informações e serviços de saúde, mas também há necessidade de um envolvimento das organizações de saúde para viabilizar esta aquisição. Um dos subcampos do letramento em saúde que atuo é o letramento alimentar. Este ainda se constitui em uma área que teremos que trabalhar muito no Brasil. Mesmo no exterior o letramento alimentar está bem atrás do letramento em saúde enquanto campo científico. No Brasil precisamos aperfeiçoar instrumentos de mensuração, conhecimentos sobre a situação da população e delineamento de programas de intervenção. Sou uma entusiasta que quer fazer parte do grupo que vai desbravar o campo do letramento alimentar. Para tanto, parcerias locais, nacionais e internacionais são fundamentais e fico feliz de estar presente na Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde, iniciando uma parceria que com certeza trará bons frutos.


Helena Sampaio

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