• Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde

Ana Martins

Atualizado: 9 de ago.


Como farmacêutica comunitária encontro-me numa posição privilegiada no que é o contato direto com a população. A Farmácia Comunitária representa, muitas vezes, a primeira linha na procura de informação.





Visão para a Literacia em Saúde - O papel do Farmacêutico na Literacia em Saúde

Como farmacêutica comunitária encontro-me numa posição privilegiada no que é o contato direto com a população. A Farmácia Comunitária representa, muitas vezes, a primeira linha na procura de informação. Pelos valores que representa, a sua proximidade com a população, a acessibilidade e confiança depositada nos profissionais da Farmácia, é o local onde muitas pessoas com baixa literacia em saúde, procuram informação para esclarecer as suas dúvidas no sentido e identificarem os procedimentos que devem adotar em saúde, e os serviços de saúde a que devem recorrer.

Na área geográfica em que exerço atividade profissional deparo-me com as dificuldades dos Cuidados de Saúde Primários em dar resposta à demanda da população, com grande parte da população sem Médico de Família. Muitas vezes a população recorre às urgências hospitalares com situações que não são urgentes, ou que resultam da descompensação de doenças crónicas que não têm a devida vigilância e acompanhamento, constituindo uma carga de trabalho adicional para os serviços de saúde. O farmacêutico pode e deve ser parte ativa na promoção da literacia em saúde, informando e capacitando as pessoas para melhores decisões em saúde e para uma melhor utilização dos serviços de saúde.

Por outro lado, após o contato com os serviços médicos, a população desloca-se à farmácia para adquirir tratamento farmacológico. A farmácia tem assim um papel fundamental no tratamento das doenças que não incide só na promoção do uso correto e racional do medicamento, mas vai mais além: na prevenção e gestão da doença e, na promoção da saúde. Por contatar com os doentes em diversos momentos (antes, durante e depois de recorrer ao SNS), a atuação da farmácia tem potencial para uma constante promoção da literacia em saúde, que se tem revelado fundamental na promoção da saúde e prevenção da doença, mas também na eficácia e eficiência dos serviços de saúde, sendo este um aspeto preocupante para a sustentabilidade do SNS.

Na sequência da identificação da oportunidade e necessidade e para adquirir ferramentas que me permitam ter um papel mais ativo na promoção em saúde da comunidade, sou neste momento aluna do Mestrado de Promoção da Saúde na Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa. Aqui estou a adquirir diversas competências que me ajudaram a desenvolver o meu trabalho como profissional de saúde de uma forma mais abrangente. Acredito que a promoção em saúde e o trabalho em literacia em saúde beneficiarão de uma estratégia multidisciplinar e intersetorial, integrando o trabalho dos vários profissionais e dos vários setores em saúde. Assim, considero poder contribuir para a SPLS, com o meu trabalho profissional na farmácia comunitária, mas também com o meu trabalho académico.

Ana Lúcia Martins

Patient Advocate

Associação Evita

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